FeeD

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Antagônia? (não, não discutam sobre o nome o.o")

Colhidas as flores, o perfume no ponto, nada poderia atrapalhar! Nem mesmo o nervosismo que engolia com uma ansiedade angustiante toda a coragem de passar por aquela porta!

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Estava sentado naquela maldita mesa há mais de uma hora, suando frio. Também, quem foi o imbecil que deu a idéia de chegar um bom tempo antes? Levei a sério! Ela, então, viria em trinta contados minutos.
O som abafado de um sino aos fundos não contribuía em nada para acalmar o palpitar frenético daquilo cujo lugar - errado, é claro! - já se fazia na minha garganta... Isso mesmo! O meu coração batia fortemente lá!... E colaborava para que eu gaguejasse um pouco.

Entre tantos embrulhos, desconfortos e tremedeiras, salto como quem levou uma picada de escorpião na bunda, as vistas embaçam e, então me dou conta: ela também se adiantou.

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... Quando foi que ela sentou-se à minha mesa? Estava tão linda que não ousei pronunciar sequer uma palavra. Podia sair merda. Ela sorriu e, nesse momento, tudo apagou.





...a emoção foi forte demais...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Amor...

[um velho texto com algum toque de "romântico"... apenas algo pelo dia dos presentes bobamente fofos! =3 ... Apenas algo que eu gosto por não ter tempo de criar um melhor! XD ... Algo incompleto! Gosto da forma como a personagem principal trata Saphinne... ^_^ FELIZ DIA DOS NAMORADOS A TODOS!]

I Lição – Encenação Exótica da Morte (Exórdio)

Era tarde da noite e meus ossos já sentiam profundamente o frio. Meus olhos cansados fechavam-se sozinhos, já não sabia distinguir se era sono ou o fim dos meus dias. Respirar doía, sentia cada órgão meu corroído pela doença misteriosa que resolveu há poucos anos começar a consumir meu ser. Saphinne estava ali chorando. Como sempre, fiel, ao meu lado, sentindo por si só minhas dores e alegrias. Não preciso ao menos contá-la o que sinto.

Vê-la despejar suas imaculadas lágrimas sobre meu leito... Aquilo realmente me doía mais que qualquer outra coisa! E disso ela nada sabia. Há muito venho admirando aquela pele delicada da cor da neve que ansiosa, aguardava-nos lá fora. Com bochechas rosadas, dando vida a ela e acentuando sua meiguice, aqueles cabelos longos que desde que a conheço vejo em trança forte e reluzente, aqueles lábios rubros... Uma beleza que, de fato, era admirada por inúmeros homens inclusive da alta nobreza e que, na eternidade em que nos conhecemos, foi apontada aos meus olhos como uma boa companhia, apenas.

Ao pensar na sua formosura e no efeito que sua tristeza me causava principalmente naquele momento, comecei, de repente, a sentir tudo se afastar... Uma voz aguda gritava em meu ouvido e a escuridão tomava, nos meus olhos, o lugar de um grande quarto aconchegante todo decorado na cor branca. Caí no sono profundo... Talvez mais que qualquer outra vez que eu tenha dormido na minha vida. Apesar de tudo, meus sonhos foram confusos, pareciam infindáveis e cheios de sangue e não custou muito para que começasse a sentir algo me sufocar, como, coincidentemente, todas as outras vezes desde que estou com essa doença.

Saltei da cama. Estava finalmente sozinha e o ar gelado parecia cortar minha garganta lenta, vagarosa e impiedosamente a começar pelo seu interior. Já estava certa do meu fim. Minhas pernas tremiam e uma náusea tomava meu estômago. Foi quando não só meu coração como também o corpo todo deram um salto: a janela estava aberta. Como podiam aquelas grades gigantescas e deveras pesadas terem sido abertas pelo vento? Tinha certeza que estava só em meu quarto, afinal Saphinne sempre trancava a porta ao sair. A não ser que fosse um intruso. Afinal, o que isso me importava? Vi apenas um vulto me atacando, senti um golpe forte na cabeça e caí.

Realmente muito estranho. Dessa vez não sonhei com o habitual e mórbido sangue. Uma luz. De fato, uma luz muito bonita, como se pudesse dizer que há alguma feia, era apontada na minha direção. Como todo sofredor, ansiava por aquele momento: o fim. Mas não! Algo está me puxando, mantendo-me firme no chão. O que não deixa que eu suba e vá embora para o lugar onde sou chamada? Será que não me querem? Um clarão tomou tudo e foi quando voltei a sentir... Calor! Não me controlei e apenas um sorriso incompreensível tomou conta da minha face.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Dose Dupla

Peguei a fita métrica e sentei-me diante do espelho. Pensei que seria melhor medir numa estrada, pelos seus quilômetros... Encarei secamente aquele espinhudo gordinho que olhava fixamente nos meus olhos.
Eu sou desses céticos que não vêem nada no amor. Eu sou meio incrédulo, mesmo! Mas confesso que nesses últimos tempos tem-me incomodado aquele diacho de presença feminina. Não pela cinturinha, não pelos lindos cabelos. Outras que conheci o tinham também. Ela curtia Mozart e odiava o ballet. Ela gastava suas tardes enfrentando implacáveis e cruéis senhores da morte, sejam quais forem seus ramos, suas culturas. Ela tinha problemas de comunicação com os outros.

Passei os dedos entre os fios do cabelo, dessa vez analizando a córnea desse supérfluo ser que posava inerte diante de mim. Incrivelmente (ou não), me analizava também! Tomou-se de uma careta invejável e pôs-se novamente a pensar no que significa "amor"; E assim ficou a tarde toda. A me ignorar, a me medir, a me olhar.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Outra dimensão

No meio da multidão o "toc toc" de sempre não deixa de desviar a atenção de alguns. Passo apressado e um olhar determinado. Ofegante e vermelha como só ela poderia imaginar. De repente, pára. Enfia a mão no decote ainda em público, sem se incomodar, de fato, com os outros. Fecha os olhos de modo tão macio quanto as mãos. Sente o prazer de um implacável raio de liberdade invadindo o seu peito, os cabelos no rosto, a brisa leve da manhã corrida da Paulista. Lambe os lábios como quem desperta para o novo. Desce do salto. Ouve o violinista e engasga com uma tragada de fumaça de um cigarro alheio, mas se delicia com tudo aquilo. A vida ali era outra. Intimamente no meio de todos, tendo todos como desconhecidos, tendo todos como amigos, apenas todos.
Pisou em alguns cacos de vidro e se atrasou para a reunião. Sentiu a chuva. Tremeu de emoção. No meio de tantos vai-e-vens, no meio de tanto nervosismo, era apenas mais uma criança a nascer. A sentir.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A realidade: uma ilusão.

Ele abriu os olhos. Sentia o corpo todo doer e não pensava em outra coisa sequer no rosto dela. Curioso, parecia estar dormindo! Curioso, não tinha sido jogada. Pelo menos não vira nada.
À sua volta a multidão se amontoava. Cada qual poupando seus compromissos de suas ilustres presenças sem maiores explicações.
Uma fraca luz se reportava à moça deitada transversalmente sobre seu corpo, ainda com a face oculta para todos.
Ao fundo, ele ouvia uma sirene, ainda fraca. Foi quando a garoa começou a cair.
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A dor já tomava conta do corpo dela. Não se mexia, pois sabia que as conseqüências de qualquer movimento poderiam ser desastrosas. Apenas abriu os olhos.
Ao fundo ouvia muitos comentários de curiosos transeuntes, algumas pessoas no celular. "Não vai dar pra chegar, o trânsito tá horrível" mentia uma no telefone aproveitando para esticar os olhos sobre o casal estendido no chão. "Noooossa! E o que essa mulher pretendia?" murmuravam outros.
Com muito esforço, ela ergue um pouco a cabeça e logo vê, um padre se aproxima. Ao fundo luzes e uma sirene estridente, cada vez mais nítidos, invadiam seus pensamentos. Seu corpo doía.
O homem religioso, ajoelhava-se diante dela e começava a balbuciar qualquer coisa em latim.

Ela não resistiu.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Só chegando (irreal ou surreal?)

Ela chegou arfando, como quem vem de uma longa perseguição. Abre a porta do quarto e simplesmente se joga de cara no chão, sem pena do nariz quebrado.
Dorme.
No dia sequinte, as coisas pareciam um tanto surreais. Levantou-se e hesitou um pouco antes de sucumbir à PUTA VONTADE DE ESCREVER.
Trêmula e cambaleante, ergueu-se nas finas pernas e rastejou até o piano. Sentou. E lá passou a tarde inteira, nas teclas de marfim, digitando.
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Ele toma seu último gole de tequila, arrota sonoramente e olha ao seu redor. Todos parecem minuciosamente alheios, cada um no seu próprio mundo como se fossem um bando de autistas. De fato, eram autistas. Tinham isso por opção.
Ele escrevia na mesa com um canivete sem fio palavras que não faziam o menor sentido. Pediu a conta, pagou, saiu. Olhou pra cima e desfrutou das cores do céu no anoitecer. Ele a viu se jogar do oitavo andar. Tudo apagou.