FeeD

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Estela

A noite colocava-se cuidadosamente no céu, sem forma, sem aconchego. Meus dedos tremiam... Céus, como poderia convencer-me da minha desgraça? Estava vendendo minhas malditas ideias a milhões e afundando-me no desprezo e traição da minha imaginação. Meus dias estavam contados.
Sem ela, a casa ficava triste, as horas não andavam. Sem ela, o despertar de cada segundo incomodava, induzia à fadiga. Meus dedos... Ainda trêmulos, me levaram a reparar: estavam amarelados, carcomidos pelo tempo e pelo vício. Maldito cigarro que ela colocou na minha vida e não soube tirar a tempo! Um samba rolava ao fundo, mas não me interessava mais saber qual. Maldita mulher!
Foi aí que me deparei com os infinitos dias que não via Estela: não passavam de quinze minutos!
Minha ânsia fez-me ensaiar um pouco antes que pudesse cair sobre aqueles travesseiros mansos e traiçoeiros. O cheiro dela, o gosto de suas lágrimas, tudo invadia meu ser... O sangue... Ah, o sangue! E pensar que tudo começou com uma carta. Ela disse que não me amava, que seria de outro, que tinha medo... Por que deixou aquilo nas minhas mãos? Estremeci.
Meus olhos foram tomados de uma ferrugem, o corpo gelou. Minha memória, sempre, em parte, apagada, mostrava-me novamente. Meu médico me dizia ter que tomar cuidado, em ruídos, Estela gritava, uma faca, um aviso, personalidades múltiplas, um riso cruel, o escuro.

Ah, Estela! Como sinto sua falta... Maldita mulher!

7 comentários:

Remus disse...

Mas que texto maravilhoso! Lembra os antigos romances nacionais, admito que parece uma versão de Clarice Lispector melhorada. A gramática nova aplicada, o texto ficou lindo. Parabéns! Há de ter futuro nisso se continuar.

Ernesto disse...

Eu imagiei isso em um filme do Tarantino mesmo...

Anônimo disse...

AMEI *---*

Druida disse...

Adorei o texto, é suscinto e direto, mas sem deixar de ser apaixonado e explosivo quando precisa. Tá melhorando muito. =D

SirJohn disse...

ENgraçado, eu podia jurar que comentei.
Não que seu comentário exclusivo de ciúme no meu texto conte.
Curti, curti sim. MAs acho que você deveria arricar textos um pouco menos góticos e noir Às vezes.
Tudo soa como se você não conseguisse às vezes enxergar a felicidade.
E eu espéro que isso não sesa verdade.
Ainda assim, outro texto, maravilhoso, com uam riqueza de figuras que eu acho que só você produz.

Harley Quinn disse...

Meu Deus!! Quanto desespero,até parece eu quando quero algo,mas ficou supimpa
bjux

Dragão de Bronze disse...

Eu comentaria.

Mas o John já o fez com tanta maestria que não tenho nada a adicionar.