FeeD

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

-EMPTY-

...          Qdo eu senti que meu coração ia pular boca afora, falei pra ele que eu queria morrer... Ele disse que se eu tentasse algo, me mataria (que ironia!)... e que me daria o abraço que eu tanto precisava naquele momento. Não pude mais pensar... Peguei o que me pertencia de fato, perturbei o sono de outros com as vãs palavras "vou dormir fora" e peguei o último metrô.
Alcancei meu destino com um ar vago e poético. Era tarde demais até para o pessoal trabalhador notar minha singular presença. Terminar aquela merda e voltar pracasa... Certamente mais importante que uma transeunte! E logo ele veio ao meu encontro. Preocupado. Aquele abraço me confortou mais que mil palavras e meu coração, tímido e insensato, voltava a dar sinais de existir. Foram segundos, na verdade... Pra mim pareciam horas que eu desejava. O peito pareceu parar de doer tanto... gradualmente. Saímos. Subimos. A princípio, o espaço que tanto me incomodou no passado, parecia me invadir... como uma reação avessa ao proporcional. O tilintar que eu podia ouvir ao fundo, o cheiro marcante de algum incenso, talvez. Não pensei muita coisa... Nem vi! O baque surdo na parede, as mãos trêmulas, sufocos, gemidos e sussurros invadiram a minha mente... Não se sabe por quanto tempo mais estendeu-se aquela sensação empolgante que, com um quê de perigo, encorajava a pedir mais. O que importava era o momento em si. E a insegurança em abrir a boca para saber se estávamos sendo ouvidos. A sensação de um efeito reverso tomava conta de mim e logo o que tomou várias horas se viu passar num segundo. Não sabia de onde surgiu aquilo... A vontade de toque humano, o cheiro, o suor... O calor não negava que deveríamos estar encharcados e num ato quase egoísta, eu o abracei... Como se fosse a última pessoa a me ver em vida. Ele me deu um beijo longo, desejoso, um belo sorriso e se retirou.
Ali dormi. Não teria mais para onde ir àquela hora. Tão tarde. Sozinha no quarto... Depois de outra ligação inesperada de madrugada e um e-mail respondido num laptop desconhecido.

10 comentários:

Dragão de Bronze disse...

Cê tá querendo me fragilizar, não é, Kel?

Laura Camiotto disse...

Gosto de como tú escreves, já falei isso. Agora, entendendo bem, fico maravilhada com o sincronismo e lógica das tuas palavras.

Muito bom.

Kinho Wildchild disse...

Tenso!

agripino disse...

sensacional Quel

Anônimo disse...

Como o amor eh lindo né não devemos deixar de amar o próximo jamais e nunca esquecer que em algum lugar distante existe alguém que realmente nos ame. Quel belas palavras, texto fabuloso te adoro muito e essas palavras me confortam beijaum enorme no seu coração, Dan.

Crow disse...

Kel manda bem o.o Gostei!! Tu tem dom pra isso!

╬ Nothing has sense ╬ Felipesfr disse...

como é grande o universo e as manifestações singulares dentro de nós...
a significação que pode ser um simples abraço, o poder de se estar presente... e de sentir a diferença de uma companhia que seja real...
o afeto... ou melhor.. verdadeira humanidade..
o vazio.. daquilo que sabemos muito bem.. falta de hunidade.. e apenas... vazio de uma sociedade civilizada.. não obstante, perdida em si mesma!
perfeito

BrunoConrado disse...

O fato da história se passar a noite consegue me prender ainda mais. Texto impecável. Imaginei um curta. ^^

Gabi.Silvestrini disse...

Até deu vontade de viver a intensidade de uma paixão como essa! Ótimo conto =)

*Dama Lima* disse...

Adoro seus textos. Quero chegar a escrever assim algum dia!*-*