FeeD

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Amor passado.

Foco! E essa trêmula desesperança, essa ânsia de ver tudo terminado... Lamentando medo do fracasso. Inocentemente, temendo o incerto que me espera atrás das curvas do destino.
Pouso as mãos sobre o lancinante desejo à espera dos olhares cruzados. E espero: Espero a boca seca, o calafrio que corre por toda a espinha, as náuseas fortes... Espero sua boca, aparentemente, também ansiosa, encerrar seu discurso sobre o dia, sobre o vinho. E foi quando aconteceu. Primeiro, seus dedos, que passeavam levemente sobre o bocal da taça. Um olhar fixo e decidido ergue-se rumo ao meu embaraçamento. Tomada de um surto, tento, em vão, encobrir essa enxurrada de sentimentos soltando as palavras como animais selvagens em debandada, como uma desculpa descontrolada... Pois não se passaram nem trinta segundos até que você, impacientemente, enrolasse seus dedos, atravessasse a mesa de ponta a ponta e envolvesse-me em um beijo. Profundo.
Tomada pelo pânico, envolvi sua garganta em meus dedos. Apertava-a como se lutasse pela minha vida. Retribuía o beijo. Sua mão, já próxima da minha nuca, me puxa com mais selvageria. Eu gosto.
Foi aos poucos que eu o senti afrouxar o toque. E aos poucos, esmaeceu o sentimento... o calor. E ao afastá-lo de mim, por mais que eu tentasse, não conseguia deixar de encarar a falsa nobreza que escondia nos seus olhos... O tardio pedido de socorro que jamais chegou.
Descanse em paz...

Em minha mente.

Um comentário:

Daniel P disse...

Muito bom, muito bem escrito, passa bem todo o sentimento descrito.