FeeD

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Amor passado.

Foco! E essa trêmula desesperança, essa ânsia de ver tudo terminado... Lamentando medo do fracasso. Inocentemente, temendo o incerto que me espera atrás das curvas do destino.
Pouso as mãos sobre o lancinante desejo à espera dos olhares cruzados. E espero: Espero a boca seca, o calafrio que corre por toda a espinha, as náuseas fortes... Espero sua boca, aparentemente, também ansiosa, encerrar seu discurso sobre o dia, sobre o vinho. E foi quando aconteceu. Primeiro, seus dedos, que passeavam levemente sobre o bocal da taça. Um olhar fixo e decidido ergue-se rumo ao meu embaraçamento. Tomada de um surto, tento, em vão, encobrir essa enxurrada de sentimentos soltando as palavras como animais selvagens em debandada, como uma desculpa descontrolada... Pois não se passaram nem trinta segundos até que você, impacientemente, enrolasse seus dedos, atravessasse a mesa de ponta a ponta e envolvesse-me em um beijo. Profundo.
Tomada pelo pânico, envolvi sua garganta em meus dedos. Apertava-a como se lutasse pela minha vida. Retribuía o beijo. Sua mão, já próxima da minha nuca, me puxa com mais selvageria. Eu gosto.
Foi aos poucos que eu o senti afrouxar o toque. E aos poucos, esmaeceu o sentimento... o calor. E ao afastá-lo de mim, por mais que eu tentasse, não conseguia deixar de encarar a falsa nobreza que escondia nos seus olhos... O tardio pedido de socorro que jamais chegou.
Descanse em paz...

Em minha mente.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Apenas um Beijo

Peço a licença de um dos meus maiores alvos de críticas passadas para falar sobre ele. Analisando o meu incomum (e falho) senso de justiça, venho aqui pedir um pequeno espaço no seu coração. Nos meus textos… Creio que ele se encontre em minhas palavras… E se não se encontrar, creio, então, que esteja morto.
Só situando a falha: foi minha. Inúmeras vezes. Sei assumir meus erros, mas nunca corrigi-los a tempo: outra falha. Descia, aquele dia, do meu caminho habitual. Da rotina lerda e insensata que todos os dias me matava. Aos poucos. Eu descia… Pela primeira vez em minha vida, apiedei-me de alguém me pedindo que reconsiderasse. Não era bem piedade. Era amor. E daqueles que não esquecemos o resto de nossas vidas, pois os que esquecemos nem eram amores de verdade. E, melhor que todas as figuras de linguagem rotineiras e melhor que todos os hinos e esforços em descrever, ali ele estava. A ruína da minha frieza, a amargura da minha amargura e o calor da minha carência. Seus olhos? Nunca saberia dizer se tentando ler a resposta dos meus ou se pedindo que se aproximassem mais… Mas brilhavam na noite doces e serenos. Doces como eu gostaria que fossem quando direcionados a mim por toda a eternidade. Penso, mesmo, e reforço. Era amor.
As palavras que se seguiram, no entanto, pareciam sem gosto e frágeis. Feitas de vidro, eu diria. E lentas.. e bem pontuadas. Mas não ousaria precisar quanto tempo passou até que elas cedessem seu espaço às palavras mais doces já ditas no absoluto silêncio. Tomada pelo espanto, sentia cada pedacinho de mim se levantar, mas não em protesto. Era consentindo que meus braços os envolviam. Era aceitando que minha boca se deixava encostar na sua. Era sentindo que eu sabia, de repente, que não estávamos mais no chão. Que o mundo girava, mesmo que apenas por um segundo à nossa volta… E que o tempo parou. O espanto não foi só meu. Nem o desejo de sentir aquilo de novo. Acho que foi por isso que deixamos meus erros de lado.

Acho que isso foi algo que não deixei mais de lado… Nunca mais senti nada assim por alguém. Talvez nem ele.