FeeD

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Dose Dupla

Peguei a fita métrica e sentei-me diante do espelho. Pensei que seria melhor medir numa estrada, pelos seus quilômetros... Encarei secamente aquele espinhudo gordinho que olhava fixamente nos meus olhos.
Eu sou desses céticos que não vêem nada no amor. Eu sou meio incrédulo, mesmo! Mas confesso que nesses últimos tempos tem-me incomodado aquele diacho de presença feminina. Não pela cinturinha, não pelos lindos cabelos. Outras que conheci o tinham também. Ela curtia Mozart e odiava o ballet. Ela gastava suas tardes enfrentando implacáveis e cruéis senhores da morte, sejam quais forem seus ramos, suas culturas. Ela tinha problemas de comunicação com os outros.

Passei os dedos entre os fios do cabelo, dessa vez analizando a córnea desse supérfluo ser que posava inerte diante de mim. Incrivelmente (ou não), me analizava também! Tomou-se de uma careta invejável e pôs-se novamente a pensar no que significa "amor"; E assim ficou a tarde toda. A me ignorar, a me medir, a me olhar.