FeeD

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ele e ela

Tudo para ele apagou! Seus olhos passeavam nas órbitas, procuravam o que não se podia achar: luz.
De repente, em um salto, contabilizou os fatos. O gosto amargo na boca o convencia de medicamentos em excesso e sentia uma tontura sem igual. TUM! Cai no chão devido, é claro, à agitação. Segundos depois, uma voz aguda grita ao fundo em tom apressado e diante dele, então, é aberta uma porta de hospital. "Emergência! Emergência!" gritavam os enfermeiros levantando-o para o alto da maca novamente. A confusão era tamanha que a sua mente ainda um pouco afundada no efeito dos entorpecentes, não resistiu e distanciou-se da cena não calando apenas o som estridente de sirene.
Ela recuperou os sentidos em um enorme quarto branco. Os apitos de aparelhos diversos e lamentos ao seu redor pareceram não forçá-la a localizar-se e, sem mais delongas, tentou se levantar. No primeiro passo, deparou-se com os olhos do homem que atacara e, só então, seu lábio tremeu.
Uma enfermeira presenciou a estranha cena dos recém chegados aos soluços. Há poucos minutos dada como "nova solteira", não tinha mais muitos pensamentos a não ser no seu amado foragido. Ignorou os não autorizados fora do leito e foi aquecer mais água.
De repente, ela correu. Correu como se toda sua vida dependesse disso. E com o desconhecido homem no seu encalço, encontrou a saída. Encontrou o portal do seu desespero.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Estela

A noite colocava-se cuidadosamente no céu, sem forma, sem aconchego. Meus dedos tremiam... Céus, como poderia convencer-me da minha desgraça? Estava vendendo minhas malditas ideias a milhões e afundando-me no desprezo e traição da minha imaginação. Meus dias estavam contados.
Sem ela, a casa ficava triste, as horas não andavam. Sem ela, o despertar de cada segundo incomodava, induzia à fadiga. Meus dedos... Ainda trêmulos, me levaram a reparar: estavam amarelados, carcomidos pelo tempo e pelo vício. Maldito cigarro que ela colocou na minha vida e não soube tirar a tempo! Um samba rolava ao fundo, mas não me interessava mais saber qual. Maldita mulher!
Foi aí que me deparei com os infinitos dias que não via Estela: não passavam de quinze minutos!
Minha ânsia fez-me ensaiar um pouco antes que pudesse cair sobre aqueles travesseiros mansos e traiçoeiros. O cheiro dela, o gosto de suas lágrimas, tudo invadia meu ser... O sangue... Ah, o sangue! E pensar que tudo começou com uma carta. Ela disse que não me amava, que seria de outro, que tinha medo... Por que deixou aquilo nas minhas mãos? Estremeci.
Meus olhos foram tomados de uma ferrugem, o corpo gelou. Minha memória, sempre, em parte, apagada, mostrava-me novamente. Meu médico me dizia ter que tomar cuidado, em ruídos, Estela gritava, uma faca, um aviso, personalidades múltiplas, um riso cruel, o escuro.

Ah, Estela! Como sinto sua falta... Maldita mulher!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Lethal Strip Flush

Minhas mãos ágeis mexem nas cartas, rapidamente, conforme avalio meu jogo. Finjo me concentrar muito, enquanto me esforço para admirar a abertura de seu vestido, que me faz devanear por entre locais indômitos. A, o que eu não daria por um aljôfar de seu gosto, por um toque naquela pele macia. Volto ao pôquer, ao notar uma certa desconfiança do crupiê em relação ao meu comportamento.

Nas 10 rodadas seguintes, só aposto muito quando sei que vou perder, faz tudo parte do jogo. Manipulo a mesa para ela achar que está difícil, faço apostas de forma a fazê-la pensar que tenho tudo, evito mostrar minha mão e xingo e em enervo quando perco. Ganho uma ou outra para evitar desconfiança.

Depois de algumas centenas de milhares eu pareço patético e "arrisco" tudo num lance só.
Perco com vontade, meu "All In" fracasssado me consome por dentro, perdi dinheiro suficiente para manter uma família de classe média feliz por uma década.
Meus lábios tremem, e eu ofereço um brinde a ela. Proponho mais uma rodada , apostando meu carro (um desses esportivos que valem mais do que muitas mansões, mas cujo nome eu nem me dou ao trabalho de decorar) contra a promessa dela de um drinque comigo para celebrar sua vitória.Ela aceita.

Eu jogo a rodada seguinte de forma que nem o demônio seria capaz. Vitória fácil, me levanto triunfante, ela enlaça meu braço e vamos ao meu quarto para o drinque: o que vem em seguida é uma nova versão do que houve antes, um jogo de suor e tentativas, blefes e expectativas, charme, violência, truqes na manga, apostas e prazer da vitória, além de uma certa tristeza porque acabou.

Duas horas depois meu saldo é o que eu esperava: gastei dinheiro suficiente para acabar comas finanças de muita gente, mas passei a noite com uma mulher tão rica, maravilhosa, sensual e desejada que dinheiro algum poderia comprar diretamente, nem mesmo com meu charme incluso na equação... até que percebo uma estranha movimentação e finalmente entendo. Eu adormeci e deixei minahs coisas desprotagidas: ela pode ter pego meus cartões, minha chave do carro, tudo o que eu imaginei que poderia ganhar de volta no jogo, mas não se ela os tomar de outra forma.

Me levantoi decidido a encontrá-la quando me deparo com ela sentada, já vestida, de frente para mim, segurando uma arma em uma das mãos e uma fotografia na outra. Olhando para a fotografia não entendo, penso tratar-se de um assalto ou sequestro, quando ela finalmente abre a boca e diz:" Não a reconhece? Uma pena, vcocê vai sofrer a vingança sem nem se lembrar de seu pecado. A pobre moçoila se apaixonou por você , e você a usou como pôde. Ela não aguentou a pressão e se suicidou. Agora a irmã dela me contratou para fazer você sentir uma dor similar..."

Me desespero e me atiro de joelhos, tentando usar o meu charme e a piedade dela para me salvar, ams ela só parece se divertir mais com a cena, quando reparo numa câmera filmadora com tripé posicionada à minha esquerda. Alguém deve estar assistindo isso, mas é tarde demais para ligar para a minha dignidade.

Ela volta a falar: " Agora, é bom que saiba o que vai acontecer, lhe darei três tiros, e nunca saberão pelo que você morreu, já temos uma equipe preparada para revelar todas as suas sujeiras, suas dívidas, as vezes que subornou autoridades para se safar, sua covardia em vídeo, como deve ter notado, em suma, você não só vai morrer, mas não vai deixar nenhuma boa lembrança. Pronto para receber o que merece, projeto de homem?"

Começo a chorar desesperado, meu charme se despedaça, minha pose se desfaz e sou só mais um pobre coitado no chão, quando vejo-a afixar um silenciador à pistola, fecho meus olhos e começo a rezar, com fervor de verdade pela primeira vez em minha vida, e aí vêm os três tiros rápidos. Demoro um pouco para perceber que ainda estou vivo. Sinto dor nas mãos e na virilha, ao abrir os olhos, reparo no que ela fez, antes de ouvir a gargalhada cruel. Ela me incapacitou de jogar e de fazer sexo, tudo o que me dava prazer na vida, no ponto em que cheguei.
Irrompo em gritos e choro desesperado, pedindo-lhe que me mate de uma vez, ela apenas sorri, joga a arma pela janela do quarto, me dá um chute, me derrubando deitado e sai pela porta, calmamente.

Alguns minutos de dor e depressão depois, entram pela porta vários jornalistas e fotógrafos, seguidos de perto pro paramédicos, já consigo ver a primeira página do jornal: "Playboy milionário é aleijado por vingança" ,"Figurão quase morre por dívidas de drogas".
Sigo na maca despedaçado , tentando entender o que farei de minah vida agora, e não posso deixar de notar os sorrisos das pessoas.

Não importa quão bem se jogue, um dia todo mundo pega uma mão ruim.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Amor...

[introduzo o texto apenas comentando algo que achei necessário dizer. Tenho uma amiga que, sabiamente (ou não) afirma dizer não precisar de homens quando tem um livro para sentar e deliciar-se lendo!... Pois quando vi essa imagem, não só lembrei dela como pensei no que escrever...]

Envolvo minha desesperada traição em palavras destemidas, agora. Jogar-se pela janela havia sido um confronto à minha falta de paciência, ao meu gênio difícil, eu sei! Mas não era desculpa!
Um guerreiro feito do nanquim de gravuras enfrenta sozinho a desilusão de encontrar-me aos prantos e, sem repudiar-me, escreve em minhas lágrimas palavras ávidas de conforto.
Esqueço o quanto sofri, o quanto me enganei... Não penso mais em voltar.
Desse pequeno quarto onde me acolho desde os infindáveis tempos de alegria, retiro a máquina de escrever... E abandono!
Esqueço... abandono!
Na rua, estranhos me encaram assombrados com o ar fúnebre, enaltecidos pelo sorriso desencorajado de uma louca e pobre alma. Acho que finalmente me entreguei à loucura... À vã loucura desse amor desencorajado... De sopetão, paro! Entrego-me... E, de repente, toda minh'alma começa a sentir seu calor, sua vida... O chão molhado e sujo não impediu que meus joelhos o beijassem e minhas lágrimas, dessa vez quentes, dessa vez de felicidade, encontraram-no deitado à minha frente.
Peguei meu amor em meus braços, beijei-o, acariciei-o. Enfim, sentia tudo o que fiz ser retribuído... em cada gesto... em cada pensamento do meu ser! Coloquei-o, por fim, em meu bolso. Alguém poderia sentir-se tão só quanto eu... e não me importaria de dividir essa paixão!

Sensualidade Diáfana



Ela se deitou, envolta em adereços e ilusões, fazendo sua melhor pose, aquela que sabia que despertaria desejos sádicos e sangrentos nos alvos daquele estratagema.
A pessoa que comandava o show lhe dava as orientações e ela sentia aquela mesma conhecida sensação, ao dar todos os seus toques pessoais naquela demonstração de sensualidade e desejo.Uma pena que a maior parte do mistério e excitação já houvessem se dissolvido.

Se sentia por demais humana , frágil e aborrecida sob aquelas luzes brilhantes e aqueles olhares lúbricos, sabia que o encanto se fora. Mesmo assim, representava seu papel, sabendo que poderia perder seu lugar se seu desempenho não fosse sempre o melhor.

Não conseguia mais entender os desejos que despertava tão nitidamente, começava a reconhecer suas falhas, as repetições, o enfado que provavelmente já transpareceria em seus clientes. Clientes indiretos é claro, ela nunca vendera seu corpo ao vivo de verdade, não por pudor mas por um fator muito mais importante. Sabia que ao vivo não seria tão mística e sedutora, tão fatal e charmosa, tão poderosa e arrebatadora. Sentia que seria apenas humana demais, simples demais, ao se despir de todos os adereços, trespassar todos so fetiches e se entregar.

E por isso todos os dias ela voltava a dar o melhor de si para vender uma imagem a qual nunca se acharia capaz de superar realmente, apenas para garantir sua sobrevivência, e pelo prazer simples de se sentir elevada acima do patamar no qual sempre se encontrara: o dos reles mortais.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Os Tártaros Elíseos de Eros

Ele se sentou na cama enxugando as lágrimas. Sua angústia despontava em seu peito, cada vez mais aguda. Sua respiração estava fraca e suas pernas trêmulas, não sabia se conseguiria ... -AAARR! Doía demais pensar nisso! Resolveu divagar...

Lembrou-se daquele jogo de RPG que tinha jogado : In Nomine.
Daquela história de anjos e demônios terem “corações”, coisas que simbolizam sua essência e que se forem destruídas podem significar ascensão ou decadência e até mesmo destruição. Lembrou-se de que muitas vezes esse coração ficava nas mãos de um superior militar, ou num local escondido. Pensou na beleza daquilo. Os anjos e os demônios não sendo necessariamente bons ou maus. Só são capazes de fazer escolhas boas ou ruins. Que grande metáfora da humanidade: Seres que não sabem se são bons ou ruins se julgando e atacando em meio a estereótipos que não conseguem entender e escondendo seus “corações” para evitar que lhes causem danos de verdade.
Pensou em como era estúpido que aquela fosse a única coisa que lhe vinha à mente no momento... se culpou por ser um maldito nerd que nunca teve jeito com garotas e chorou mais.

25 minutos e três copos de vodca com suco de laranja (de caixinha) depois, teve um estalo!

Entendeu porque se lembrara do maldito jogo numa hora como essa.

Percebeu que seu coração já havia sido arrancado e despedaçado e que o destino não estava em suas mãos. Quebrou o copo e se mutilou um pouco com os cacos, não o suficiente para gritar e chamar atenção.
Raciocinou de novo e finalmente entendeu: Ao entregar seu coração fez a melhor coisa que poderia ter feito e, portanto, muy provavelmente sofreria mais do que poderia suportar.

Essa certeza o tranqüilizou e fez com que adormecesse enquanto cantarolava...
We're just
Crawling Angels and Demons disguised...