FeeD

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Get The Show On!

Deitada e lamentando os últimos minutos que teria consciente naquela noite, pensava em Renato. Aquele homem soube, realmente, como invadir cada centímetro do seu íntimo, explorar sua devassidão e sorver até a última gota da sua energia. E, não fosse por tê-lo intimado a dizer, ela não saberia nem mesmo seu nome... se é que era esse. Não importa.
Dominada pelos seus desejos pérfidos, Flávia deixou que tomassem rumo aqueles pensamentos profanos, esperando que se calassem na escuridão e no silêncio que a rodeavam. Não calariam.
Demorados cinco minutos ou menos, o átrio daquela ânsia ultrapassava o limite dos seus sentidos. Dedos e pernas e mãos e suspiros atormentavam-lhe o juízo de uma forma tão íntima e tão lírica que não deixavam dormir os pensamentos tão desafortunadamente impuros... Sentia vergonha de si mesma. Mas gostava disso. Não pararia.
Dentro de si e nela mesma, um misto de glória e desespero, vergonha e uma certa paixão pelo que considerava, então, errado faziam-na rangir os dentes e os pés da cama. Renato, agora, não deixava de habitar sequer um detalhe dos seus pensamentos. E do físico... Da alma, dos livros, estantes e todas as músicas que Flávia poderia conhecer. Era angustiante e desejável que continuasse nesse rumo. E não se perderia.
Dançando em sua mente, tudo era tão real que ela podia ouvir os gemidos, sentir a respiração dele... e a fricção de seus dedos levemente ásperos. O calor que crescia em seu corpo tomava-lhe, então, como se cada pedaço do seu ser fosse uma nota de um bom vinho... ou um Stradivarius à espera de seu melhor concerto. Não sente mais.
Degustando o prazer do momento alto daquela orquestra, aquietou-se, então, embebida em torpor. E o corpo dormente e o sorriso ardente reservaram-se à platéia de livros e álbuns musicais mais próximos do seu quarto.